quinta-feira, 25 de junho de 2026

Moro acena pela primeira vez a movimentos contrários a Bolsonaro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Da Redação

O ex-ministro Sergio Moro acenou pela primeira vez aos recém-criados movimentos que se autodenominam pró-democracia e equiparou o PT (Partido dos Trabalhadores) ao presidente Jair Bolsonaro, em entrevista divulgada neste domingo (7) pela Folha de S.Paulo.

Para Moro, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não reconhece erros cometidos durante seu período no governo federal em relação aos desvios na Petrobras. Isso equivale, nas palavras dele, ao discurso negacionista de Bolsonaro sobre a pandemia do coronavírus. “É um erro isso”, diz.

À Folha, Moro diz que está “em aberto” a possibilidade de ele aderir a esses movimentos em defesa da democracia e contra o governo.

Afirma não ver constrangimento em integrar manifestos que possam ter membros críticos a seu trabalho como juiz da Lava Jato, apesar das resistências de alguns setores a seu nome. “Na democracia temos muito mais pontos em comum do que divergências. As questões pessoais devem ser deixadas de lado”, disse. “Não fui algoz de ninguém”.

“Tem crescido movimentos como o ‘Juntos’, o ‘Basta’, o ‘Somos 70%’, em referência à parcela da população contrária ao governo. O sr. se considera hoje parte dos 70%?” , questionou o jornalista Leandro Cólon.

“Sempre apoiei a democracia e o Estado de Direito. Minha saída do governo se insere nessa defesa. Democracia e Estado de Direito têm muito mais que 70%, quase 100%. É uma anomalia estar discutindo essas questões. Vejo esses manifestos com naturalidade, como reação às declarações que não têm sido felizes por parte do presidente, esses arroubos autoritários. Estamos discutindo temas da Guerra Fria, não deveríamos”, responde Moro.

“O sr. deseja aderir a algum movimento ou não pretende fazer isso?”, pergunta o repórter. “Essa é uma questão em aberto. Minhas posições sempre foram muito favoráveis à democracia e ao Estado de Direito, e assim tenho me manifestado publicamente”, diz o ex-ministro.

“O sr. teria constrangimento em integrar movimentos que podem envolver personagens de quem o sr. foi algoz?”, pergunta a Folha.

“Não fui algoz de ninguém. Fiz meu trabalho como juiz, tem Eduardo Cunha, André Vargas, Lula, os diretores da Petrobras, é um trabalho. Ter um processo e ter condenado o Lula só me trouxeram problema, retaliação, ameaça, ofensa, mas fiz porque é meu trabalho, me convenci daquelas provas apresentadas, assim como foi em relação a todos os outros. Nunca é uma questão pessoal.

Agora, o que acho em relação ao PT, independentemente de manifesto, o que seria melhor eles fazerem, e isso foi colocado por determinadas vertentes do partido, é reconhecer seus erros. Melhor forma de você conseguir limpar seu caminho para o futuro é reconhecer os erros do passado. E a estratégia que eles adotam, negando os crimes que foram praticados durante a presidência do PT, durante o período que o partido tinha o controle sobre a Petrobras, junto a seus aliados, é mais ou menos o equivalente à postura do presidente da República, que nega a existência de uma pandemia no momento atual. É um erro isso”, diz Moro.

07 de junho de 2020, 09:46

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