quinta-feira, 25 de junho de 2026

Novos diálogos mostram que Dallagnol previu que poderia ter problemas ao ser remunerado por palestra em empresa investigada na Lava Jato

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Redação

Novos diálogos divulgados pela Folha de S. Paulo em parceria com o site The Intercept Brasil mostram que o procurador Deltan Dallangnol sabia que poderia ter problemas ao aceitar fazer uma palestra remunerada no valor de R$ 33 mil para uma empresa citada em um acordo de delação na Operção Lava Jato.

A empresa é a Neoway, uma companhia de tecnologia e tanto a palestra, quanto a remuneração, foram realizados quando ela já estava citada em uma delação que tem como personagem central o ex-líder dos governos petistas na Câmara, Cláudio Vaccarezza, preso em 2017. A Neoway também foi citada em negociatas na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras privatizada na terça-feira.

Ainda conforme os diálogos divulgados pela Folha, Deltan aproximou a Neoway de outros  procuradores, com a intenção de comprar produtos para uso da Lava Jato (a empresa vende softwares de análise de dados). Ele chegou a gravar um vídeo para a empresa, enaltecendo o uso de produtos de tecnologia em investigações.

Ao perceber que havia recebido dinheiro e feito publicidade gratuita para uma empresa investigada pela operação que ele mesmo comanda no Paraná, o procurador confessou a colegas: “Isso é um pepino para mim”. Mas só escreveu à corregedoria do Ministério Público Federal para prestar “informações sobre declaração de suspeição por motivo de foro íntimo” quase um ano depois.

Em resposta à Folha, Dallagnol afirmou que não reconhece a autenticidade e a integridade dessas mensagens. A Neoway confirmou que presta serviços para a BR Distribuidora. Os contratos foram firmados em janeiro de 2012, novembro de 2014, março de 2017 e março de 2019, sendo que este último ainda está vigente, com duração até março de 2020, no valor de R$ 3.385.140, e foi fechado com inexigibilidade de licitação.

A Neoway diz ainda que a contratação do procurador para a palestra realizada em março de 2018 “foi remunerada em valores compatíveis com o mercado para atividades dessa natureza, com total observância às leis”.

26 de julho de 2019, 10:41

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