quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Rapidinhas: O retorno de Marcelo Nilo, o quebra-cabeças de Bruno Reis e o cardápio da PEC

Foto: Reprodução

Davi Lemos

O retorno de Marcelo Nilo
Sabendo que as chances de ser conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) são nulas atualmente, o ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos) articula para voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa a partir de 2027. Ele tem mantido contato com lideranças no interior sinalizando que vai disputar a eleição para deputado estadual em 2026. E mais: costuma dizer que será o postulante do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Atualmente, Nilo é assessor especial do prefeito Bruno Reis (União).

Quebra-cabeças
Não será tarefa fácil para o prefeito Bruno Reis (União) montar o quebra-cabeças envolvendo a montagem das chapas dos partidos aliados para a disputa de cadeiras na Câmara Municipal. A tendência é que o gestor tenha na base oito legendas. A intenção é que todas elas tenham pelo menos dois vereadores de mandato concorrendo. Mas já há sinais de resistência em partidos como o PDT, que tem como prioridade eleger para o Legislativo o presidente da Limpurb, Omar Gordilho, e o comandante da Codecon, Zilton Kruger, ligados, respectivamente, aos deputados federais Félix Mendonça Júnior e Leo Prates.

Almoço
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adolfo Menezes (PSD), convidou a imprensa para um almoço de final de ano nesta terça-feira (28). O evento já virou tradição. Mas, desta vez, o cardápio principal, ao menos para a imprensa, será a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite um terceiro mandato consecutivo do parlamentar.

Sai para lá
A deputada estadual Claudia Oliveira (PSD) está realizando uma operação “sai para lá” após uma notícia ter circulado em sites do Extremo Sul da Bahia de que ela poderia ter o apoio do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL), para concorrer ao Executivo do município em 2024. Assessores da parlamentar chegaram a ligar para sites e, inclusive, entraram em contato com esta coluna para dizer que o suposto apoio de Jânio é estratégia da oposição para enfraquecê-la. Há algumas semanas, o presidente estadual do PL, João Roma, afirmou que o atual prefeito disputaria a reeleição.

O problema
Por falar em PL e em Porto Seguro, a médica Raíssa Soares, que é vice-presidente estadual do partido e foi secretária de Saúde na gestão de Jânio Natal, deu a entender, na semana passada, que se dispõe a ser vice na chapa do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União). A médica, que foi candidata a senadora nas eleições de 2022, disse que não participa das decisões tomadas por João Roma, que, nesta segunda-feira (27), indicou apoio a Bruno. Raíssa Soares já vinha dizendo nos bastidores e repetiu na semana passada que a gestão de Roma estaria dificultando a vida de bolsonaristas raiz.

Perdas e ganhos
A presidente estadual do PSB na Bahia, deputada federal Lídice da Mata, celebrou a indicação do ministro da Justiça, Flávio Dino, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria da ministra Rosa Weber. “A nota triste é que o PSB perde um quadro político de primeiríssima grandeza”, escreveu a parlamentar no X, antigo Twitter. Mas a perda em nível nacional pode acabar em ganho estadual. O senador Jaques Wagner (PT) é cotado para substituir Dino no Ministério da Justiça e isso levaria para o Senado o socialista Bebeto Galvão, que atualmente se esforça para ser candidato a prefeito de Ilhéus sob as bênçãos do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ou seja, o PSB perderia Dino, mas, na Bahia, herdaria uma vaga no Senado.

MDB em Camaçari
O MDB está investindo pesado na pré-candidatura da sigla à Prefeitura de Camaçari. Recentemente, o pré-candidato do partido na cidade, Oswaldinho Marcolino, teve reunião com o secretário estadual do Turismo, Maurício Bacelar, para debater melhoras para o setor na cidade da Região Metropolitana de Salvador, atualmente gerida por Antônio Elinaldo (União), mas cobiçado pelo secretário estadual de Relações Institucionais, ex-deputado e ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT). Não abrir mão de candidatura própria seria uma resposta à gula do PT baiano que, em Salvador, luta pela indicação do deputado estadual Robinson Almeida. “A unidade em Salvador em torno de Robinson deverá ter a contrapartida da unidade em torno de outro nome fora do PT em outros municípios importantes”, disse fonte do MDB.

Prefeitos
O veto do presidente Lula à lei que prorrogaria a redução da alíquota previdenciária de pelo menos cinco mil municípios em todo o Brasil causou indignação em prefeitos baianos, que estão ainda mais desconfiados das intenções do governo federal em dar aos gestores as condições que tiveram durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “No governo anterior, não faltou dinheiro para as prefeituras nem durante a pandemia”, comentou um gestor que apoiou a eleição de Lula e está na base do governador Jerônimo Rodrigues. Em nota publicada na sexta-feira (24), a União dos Municípios da Bahia (UPB) manifestou “grande decepção” com o veto presidencial.

Reação
Uma das reações mais fortes ao veto de Lula, que implicará na retirada de recursos de prefeituras e também o encarecimento da folha de pagamento de 17 setores da economia, veio do senador Angelo Coronel (PSD). No Instagram, o parlamentar disse que “[a derrubada do veto] é algo que nós vamos trabalhar para acontecer porque são 17 segmentos da economia que geram nove milhões de empregos que ficarão prejudicados, bem como cinco mil prefeituras que estão aí à beira da falência, com uma Previdência Social muito elevada e, com esse projeto, ela cai de 20% para 8%”. Coronel não está incomodado se a postura dele for vista pela base petista como traição – o senador ganhou essa adjetivação após também votar a favor de projeto que retirou poderes do STF.

27 de novembro de 2023, 20:00

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