segunda-feira, 27 de abril de 2026

Saldo da balança comercial bate recorde em dezembro, mas recua no fechamento de 2025

Foto: Stéferson Faria/ Agência Brasil

Da Redação

Pressionada pelo avanço das importações e pela queda nos preços internacionais das commodities, a balança comercial brasileira encerrou 2025 com superávit menor do que o registrado em 2024, apesar de ter alcançado o melhor resultado da história para um mês de dezembro desde o início da série, em 1989. No acumulado do ano passado, as exportações superaram as importações em US$ 68,293 bilhões, uma retração de 7,9% em relação ao saldo positivo de 2024.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Mesmo com a queda anual, o resultado de 2025 representa o terceiro maior superávit da série histórica, ficando atrás apenas dos números registrados em 2023, quando o saldo chegou a US$ 98,903 bilhões, e em 2024, com US$ 74,177 bilhões.

Tanto exportações quanto importações bateram recorde no ano. As vendas brasileiras ao exterior somaram US$ 348,676 bilhões, crescimento de 3,5% em relação a 2024, mesmo diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e da desvalorização de commodities, especialmente o petróleo. As importações, impulsionadas pela recuperação da economia interna, cresceram em ritmo mais acelerado e totalizaram US$ 280,382 bilhões, alta de 6,7%.

O desempenho ficou acima das projeções oficiais. O Mdic estimava um superávit de US$ 60,9 bilhões em 2025, com exportações de US$ 344,9 bilhões e importações de US$ 284 bilhões. O fato de as compras externas terem ficado abaixo do previsto contribuiu para um saldo final mais elevado do que o esperado.

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a resiliência do comércio exterior brasileiro ao longo do ano. Segundo ele, o volume exportado cresceu 5,7%, enquanto o comércio global avançou apenas 2,4%. Para o ministro, o desempenho mostra a competitividade dos produtos brasileiros mesmo em um cenário internacional adverso, marcado por tensões geopolíticas e barreiras comerciais.

Somente em dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 9,633 bilhões, alta de 107,8% em comparação com o mesmo mês de 2024. Esse foi o maior resultado já observado para dezembro desde 1989, superando o recorde anterior, de US$ 9,323 bilhões, registrado em dezembro de 2023. No mês, as exportações alcançaram US$ 31,038 bilhões, crescimento de 24,7%, enquanto as importações somaram US$ 21,405 bilhões, alta de 5,7%.

Na análise setorial, as exportações de dezembro cresceram de forma expressiva na agropecuária, com avanço de 43,5%, impulsionado tanto pelo aumento do volume quanto dos preços médios. A indústria extrativa registrou alta de 53%, puxada principalmente pelo crescimento das exportações de petróleo e minério de ferro, enquanto a indústria de transformação avançou 11%, mesmo com queda nos preços médios.

Entre os produtos que mais contribuíram para o desempenho exportador em dezembro estão soja, café não torrado e milho na agropecuária; óleos brutos de petróleo e minério de ferro na indústria extrativa; e carne bovina e ouro não monetário na indústria de transformação. No caso do petróleo, a retomada das atividades das plataformas após paradas para manutenção em novembro foi determinante para o aumento das vendas externas.

Do lado das importações, o crescimento refletiu a retomada do consumo e dos investimentos no país. Houve forte aumento nas compras de soja e trigo na agropecuária, fertilizantes e carvão na indústria extrativa, além de combustíveis e medicamentos na indústria de transformação.

06 de janeiro de 2026, 17:30

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