segunda-feira, 27 de abril de 2026

Setor produtivo critica manutenção da Selic e pressiona Banco Central por início do corte de juros

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Da Redação

A decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano provocou reação negativa do setor produtivo. Embora a manutenção dos juros fosse amplamente prevista, entidades empresariais e sindicais afirmam que a postura do BC freia o crescimento em um momento de desaceleração econômica, inflação em queda e perda de dinamismo no mercado de trabalho.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo a Agência Brasil, divulgou nota na qual critica a decisão e afirma que o BC ignorou “evidências robustas” de que já seria possível iniciar um ciclo de cortes. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, os juros permanecem “excessivos e prejudiciais”, encarecendo o crédito, reduzindo o ritmo da atividade e inibindo investimentos. Ele avalia que haveria espaço para reduções graduais sem comprometer a trajetória da inflação.

O setor de comércio também demonstrou insatisfação. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), disse que a política monetária está desalinhada com o cenário nacional e internacional, citando que países como os Estados Unidos já começaram a reduzir juros, enquanto o Brasil mantém uma das maiores taxas reais do mundo. Segundo ele, a atual postura do BC desestimula investimentos, consumo e aprofunda entraves estruturais.

Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou tom mais cauteloso. Para o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, a manutenção era esperada diante de um contexto ainda sensível, com inflação e expectativas acima da meta, expansão fiscal, resiliência do emprego e incertezas internacionais. Ele afirmou que o comunicado do Copom será fundamental para indicar o rumo da política monetária daqui para frente.

10 de dezembro de 2025, 23:59

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