terça-feira, 2 de junho de 2026

Venda ilegal de retatrutida cresce no Brasil apesar de medicamento ainda não aprovado

Foto: Reprodução

Da Redação

A comercialização clandestina da retatrutida, medicamento experimental investigado para tratamento da obesidade, tem avançado no Brasil mesmo sem autorização de uso por qualquer agência reguladora no mundo. O aumento da procura preocupa especialistas e autoridades sanitárias, que alertam para riscos à saúde e para a ausência de garantias sobre a origem dos produtos vendidos pela internet.

Dados do Google Trends apontam crescimento de 60% nas buscas pelo termo “retatrutida” no último ano. Em redes sociais como Instagram e TikTok, usuários compartilham relatos de uso, promessas de emagrecimento acelerado e contatos de fornecedores, apesar de o medicamento ainda estar em fase 3 de estudos clínicos.

Desenvolvida pela Eli Lilly, a retatrutida é uma molécula experimental que atua simultaneamente nos receptores GLP-1, GIP e glucagon. Segundo a farmacêutica, o medicamento ainda não foi aprovado por nenhuma autoridade regulatória e está disponível legalmente apenas para participantes dos ensaios clínicos.

Especialistas alertam que a compra do produto no mercado paralelo pode expor consumidores a substâncias falsificadas, dosagens incorretas e contaminações por fungos e bactérias. Como não há controle sanitário sobre os produtos comercializados ilegalmente, não existe garantia de que o conteúdo corresponda à substância em estudo.

Os preços encontrados em anúncios variam entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil. Em alguns casos, vendedores oferecem versões importadas e prometem envio internacional, mesmo sem autorização para comercialização no Brasil.

Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a venda e determinou a apreensão de produtos contendo tirzepatida e retatrutida das marcas Synedica e TG, classificados como irregulares e de origem desconhecida. A agência reforça que medicamentos sem registro podem representar graves riscos à saúde e que sua comercialização pode configurar crime.

Apesar disso, a procura continua impulsionada por relatos de perda acelerada de peso. Resultados preliminares divulgados pela Eli Lilly indicaram que participantes dos estudos clínicos perderam entre 19% e 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os dados, entretanto, ainda fazem parte do processo de avaliação científica e regulatória.

Médicos e farmacêuticos defendem cautela e ressaltam que a eficácia e a segurança da retatrutida ainda estão sendo analisadas. Até a conclusão dos estudos e eventual aprovação pelos órgãos reguladores, o medicamento permanece classificado como experimental.

02 de junho de 2026, 10:00

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